PADARIA DO JIRUCA: IDENTIDADE, TRAJETÓRIA E PONTO DE REFERÊNCIA
por Silvan Cardoso

Jiruca e sua padaria, construída há décadas. Fotomontagem: Silvan Cardoso
A palavra “Jiruca” faz parte
da memória de muitas pessoas em Alenquer (PA), principalmente das que residem
no bairro Aningal, sejam aquelas com mais de 45 anos de idade ou as pessoas
mais novas.
Para as mais novas, é apenas o nome de uma padaria antiga, que fica no cruzamento da rua Capitão Antônio Monteiro Nunes com a travessa Colombiano Marvão, embora esse nome - "Jiruca" - não esteja pintado na parede ou gravado num letreiro na frente do estabelecimento.
Para as mais velhas, vai muito além de uma simples padaria. É nome de uma pessoa que viveu na cidade, construiu a sua história de vida, formou família, deixou herança e se foi numa época um pouco distante.
Hoje falar “lá no canto do Jiruca” tornou-se ponto de referência no bairro. Quando essas palavras são ditas, todas (ou quase todas) as pessoas sabem onde fica. Tal expressão existe por conta da “padaria do seu Jiruca”. E a padaria existe por causa do homem que a criou.
Seu Jiruca: Identidade
No final da década de 1930,
seu Conegundes de Souza e dona Geovina Ferreira de Souza tiveram um filho, que
batizariam pelo nome José Ferreira de Souza. Era mais um dos filhos do casal no
município alenquerense.
Trajetória como padeiro
Jiruca sempre trabalhou com
pão. Foi bastante novo para Manaus, onde aprenderia o ofício com um padeiro
português. Lá obteria as técnicas e se aperfeiçoaria o suficiente, para que ele
tivesse reconhecimento por seus conhecimentos obtidos.
De volta a Alenquer, seria padeiro durante certa época da padaria Santo Antônio, de propriedade do senhor Raimundo Leite, o Raimundão, localizada na travessa Lauro Sodré.
Jiruca foi um dos profissionais responsáveis pelas delícias produzidas na também histórica e memorável “padaria do Raimundão”, como as pessoas gostavam de falar, embora o comércio tivesse seu nome próprio.
Em seguida, trabalhou com seu irmão Nestor Ferreira, que alcançaria popularidade também como panificador em Alenquer, já que em sua padaria, na rua Rosomiro Batista, no bairro Centro, era uma das que tinha forno a lenha para a produção.
Um ponto de referência
do Aningal
Mas Jiruca também queria
ter seu estabelecimento próprio. Assim, comprou um terreno na rua Capitão Antônio
Monteiro Nunes com travessa Colombiano Marvão e lá construiu a sua primeira
padaria, que seria de palha.
A padaria do Jiruca mantém sua estrutura original, atualmente sob responsabilidade do seu filho "Xexéu". Foto: Silvan Cardoso
Depois de um tempo, mandaria construir uma padaria de alvenaria, que é a atual estrutura, muito conhecida por quem mora nas proximidades e por quem passa nesse cruzamento.
Jiruca se casaria com dona Maria Maurício da Silva Souza, com quem teria um total de nove filhos.
Funcionários da padaria
Muitas pessoas seriam
funcionários naquele estabelecimento. Alguns deles, lembrados somente pelo
apelido, eram o Tango, o Terçado, o Padeirinho e o Balateiro.
Os filhos do senhor Marcelo Vidal também teriam passagem vendendo ou produzindo pães: Francisco, Marcelinho, Everaldo, Cláudio e Tonico.
Os filhos do Jiruca também trabalhariam no seu comércio, mas somente depois da maioridade. Enquanto ainda eram menores de idade, apenas os funcionários atuavam. Mas depois que os filhos alcançavam uma idade ideal, ajudariam nas vendas de pães.
Além da padaria
Embora Jiruca tivesse
destaque produzindo e vendendo pão, foi também maçom na Loja Fraternidade
Alenquerense nº 11 e sócio acionista do Aningal Atlético
Clube e do extinto clube Rio Negro, onde atualmente está a Igreja da
Restauração.
Seu Jiruca: Memória

Retrato do seu Jiruca, exposta na padaria. Foto: Arquivo da família.
Adoecido, Jiruca faleceu no ano de 1994, com
apenas 56 anos de idade. Uma trajetória de conquistas foi interrompida de forma
precoce. Mas seu nome perduraria por muito mais tempo.
Depois de sua partida, sua filha Darc assumiria os trabalhos na padaria. Mas depois passaria para o Xexéu, outro filho de Jiruca, responsável até os dias de hoje, tornando-se também bastante conhecido.
A padaria, com seu famoso antigo aspecto, é preservada, resistindo ao tempo e persistindo nos pensamentos de quem viu o padeiro ou de quem apenas utiliza seu nome para usar nos endereços.
Sempre que disser ou ouvir de alguém a expressão “Lá no canto do Jiruca”, saiba que por trás de tudo isso existiram lutas, perdas, conquistas, famílias, amigos e muitos outros acontecimentos que fazem parte da história de Alenquer.
O melhor pão da cidade!!!
ResponderExcluirEle era padrinho do meu irmão jader e eram muitos amigos 👦 dos meus pais dona Maria era uma pessoa muito bondosa tem um coração imenso ele seu " jiruca" era um pouco sisudo porque ele tem várias filhas e ele tinha um cuidado extremo com elas. Mas era uma pessoa muito boa que Deus o tenha em um bom lugar.
ResponderExcluirGosto destas homenagens que vc faz aos alenquerenses que deixaram, tem uma história em nossa cidade. Obrigado.
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