PROFESSOR OSVALDO RAMOS, O LUDECO: PERSONAGEM ÍMPAR DA EDUCAÇÃO XIMANGA

por Silvan Cardoso 

Professor Osvaldo Ramos, o Ludeco: Grande figura da educação ximanga. Foto: Silvan Cardoso

Professor Osvaldo Ramos é uma figura única e de grande respeito na classe educacional de Alenquer, assim como um personagem singular na sociedade alenquerense.

Por décadas, contribuiu nas salas de aula do seu jeito, de tal forma que sempre é recordado e narrado por quem foi seu aluno e quem, de certa forma, com ele conviveu e aprendeu.

Osvaldo Ramos dos Santos Sobrinho nasceu no dia 23 de janeiro de 1963. Era o quinto de onze filhos de sua mãe, que se chamava Tereza Ramos dos Santos. Mas o início de sua história de vida teria uma participação de outra pessoa especial.

Dona Raimunda Ramos e o gosto por um personagem de rádio

Na década de 1960, sua avó, dona Raimunda Ramos dos Santos, gostava de ouvir na rádio as histórias de um personagem chamado Coronel Ludugero, criado pelo humorista Luiz Queiroga, e interpretado pelo também humorista Luiz Jacinto Silva.

O personagem Coronel Ludugero retratava, com o humor, a figura lendária dos coronéis, muitos dos quais pertenciam à Guarda Nacional, e que tinham grande prestígio junto à população.

Ludugero era um homem simples, de poucas palavras, amante da verdade, sincero e que se gabava de si próprio. Um bom contador de de histórias, cantador de viola e poeta.

Origem do apelido “Ludeco”

Ludeco, apelido carinhoso dado ao Osvaldo Ramos por sua avó materna.

Desse personagem surgiria o disco cômico "Ludugero Apoquentado", gravado em 1962, com Rosa Maria, pela gravadora Mocambo, com um diálogo de humor que dona Raimunda Ramos gostava de ouvir.

Assim que nasceu o quinto filho de sua filha Tereza em 1963, dona Raimunda queria que ele se chamasse "Ludugero Apoquentado", como forma de homenagear o personagem que ela tanto gostava de ouvir. 

Mas no cartório não permitiram esse nome. Poderiam escolher outro, menos esse. Apesar de inconformada, precisou aceitar e a criança passou a se chamar “Osvaldo Ramos dos Santos Sobrinho”, homenageando um dos seus tios, que tinha o mesmo nome.

Osvaldo foi batizado com esse nome, mas sua avó não desistiu e, apesar de não conseguir colocar o nome que desejava, colocou no neto um apelido inspirado no personagem Ludugero, que seria lembrado por décadas seguintes: Ludeco.

 Infância, estudos e trabalho

Junto ao seu amigo André Martins. Foto: Reprodução.

A infância e adolescência de Osvaldo Ramos, o Ludeco, seria dividida entre os estudos e o trabalho. Estudaria o ensino básico nas escolas Fulgêncio Simões, Santo Antônio e Amadeu Burlamaqui Simões. Mas nunca chegou a fazer o nível superior.

Paralelo aos estudos, o pequeno Ludeco passaria os primeiros anos de sua vida vendendo geladinho, pamonha, camarão, entre outros produtos, que eram preparados pela sua avó.

Era mais um menino que andava nas ruas da cidade, com um isopor ou bandeja no ombro, com o que tinha para fornecer aos seus clientes. Uma luta constante, fundamental para que tivesse o pão de cada dia.

Depois disso, trabalhou fazendo “bico” na paróquia Santo Antônio de Alenquer, chegando a trabalhar como auxiliar da secretaria da paróquia. Um período de trabalho do qual adquiriria experiências que seriam determinantes nos anos seguintes.

 Oportunidade para trabalhar como professor

Escola Fulgêncio Simões, onde professor Osvaldo trabalhou por quase 40 anos. Foto: Silvan Cardoso.

No dia 08 de março de 1985, Osvaldo Ramos, então com 22 anos de idade, seria contratado para ser professor, com ajuda crucial de Rivail Figueiredo, que solicitou seus documentos para lotá-lo no quadro de professores.

Mas Osvaldo não tinha formação para lecionar. Aceitou a oportunidade, sabendo que precisaria estudar bastante para conseguir seus objetivos em sala de aula. Foi por não ter medo do desconhecido que Ludeco melhorou um pouco sua situação de vida.

A princípio, lecionou para alunos de 1ª a 4ª série, na escola Fulgêncio Simões. Detalhe importante: essa seria sua primeira e única escola como profissional, onde lecionaria e faria história no Corpo Docente.

 Os desafios dentro de sala de aula

Junto ao funcionário Max Alves, colega de trabalho. Foto: Reprodução.

Por volta dos 30 anos de idade, lecionaria para alunos de 5ª a 8ª série, lecionando as disciplinas Estudos Sociais, Ciências e Religião. Novos desafios que exigiriam ainda mais dele para lidar com seus alunos.

Como ele não tinha formação específica nessas disciplinas, tratou de mergulhar nos livros e aprender todos os conteúdos, para que pudesse levar à sala de aula seus conhecimentos.

Como já tinha experiência de trabalho na Igreja Católica, atuando na secretaria da paróquia da cidade, foi daí que levou parte de seu conhecimento para a sala de aula, além dos conteúdos religiosos que buscava nos livros.

Ao longo do tempo trabalhando na escola Fulgêncio Simões, professor Osvaldo Ramos foi conquistando mais espaços e sendo mais respeitado pelos colegas de trabalho.

Muitos profissionais da educação e incontáveis números de alunos passaram por Ludeco. Viu na direção da escola as professoras Ana Lúcia Batista, Maria Dalila Martins, Maria do Rosário Reis Bentes e Darc.

Professor Ludeco: "Patrimônio" da educação alenquerense 

Homenagem feita aos 38 anos atuando na escola. Foto: Reprodução.

Além de professor, teve oportunidades para trabalhar na secretaria do educandário e chegou a ser diretor interino. Aquele rapazinho, vendedor de pamonha e geladinho já foi diretor da escola de maior tradição da cidade!

Incontáveis profissionais, do médico ao pedreiro, passaram pelos ensinos de Osvaldo Ramos. Hoje, muitas vidas e famílias têm pelos menos um pouco da metodologia e recordações do professor.

Aliás, embora nunca tenha sido cantor profissional, foi pela sua voz que o Hino da Escola Fulgêncio Simões, composto pela professora Maria Costa Domingues, ficou muito popular.

Professor Osvaldo Ramos encerrou sua jornada na educação em maio de 2023, depois de 38 anos trabalhando em sala de aula. Na época, no dia 03 de junho, os seus colegas de trabalho fizeram um jantar de despedida em homenagem ao icônico educador.

Uma história de lutas e conquistas que só ele sabe o que sentiu. Nunca se casou, não deixa filhos biológicos, mas certo de que seus filhos são todos aqueles que, sentado em sua carteira, numa das imensas dalas da escola Fulgêncio Simões, ouviu e copiou os assuntos e exercícios que ele organizava, e que vivem suas vidas, próximo ou distante de sua terra natal.

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