TABAQUINHO: A JORNADA DE UM JOVEM EMPREENDEDOR

por Silvan Cardoso

Tabaquinho, um dos mais conhecidos jovens empresários de Alenquer. Foto: Arquivo pessoal/ Tabaquinho.

Para Tabaquinho, olhar para trás significa rever e enxergar toda uma trajetória construída com muito esforço, em meio a perdas e conquistas. Em tão pouco tempo, o jovem precisou arregaçar as mangas e se tornar, nos dias atuais, uma referência no empreendimento ximango.


Não foi um caminho simples seguido numa única rota, mas foi uma caminhada que, transformada em “estrada”, foi alcançando e formando outros ramais, das quais fizeram-se outras oportunidades e formas de sobrevivência.

 

O jovem nasceu no dia 15 de setembro de 1988, na cidade de Alenquer. Filho de dona Antônia Jussandra, professora na cidade, e do seu Sebastião Farias, o Tabaco, autônomo e que já legislou na Câmara de Vereadores.

 

Foi batizado com o nome Wandsson Santos Farias, mas que desde pequeno seria conhecido como “Tabaquinho” por conta do apelido do seu pai. É o filho mais velho do casal, junto de seu único irmão Wellington.

 

Escolaridade: instituições de ensino por onde passou

Estudou em várias instituições de ensino de Alenquer: escola Jorge Sadala, quando ainda funcionava nas dependências da Loja Maçônica Fraternidade nº 11, no bairro Centro, na escola Chapeuzinho Vermelho, ao lado do antigo Clube de Mães, no bairro Aningal.

 

Estudou também na escola Joaquim Valente e na escola Maria Valmont, ambas no bairro Aningal, concluindo o ensino básico na escola Santo Antônio, no bairro Centro. Paralelo ao período de estudos, outras direções foram necessárias em sua jornada.

 

Início de uma saga

Tabaquinho não teve uma rotina de vida qualquer na infância. Não se limitou somente a brincar, como qualquer criança faria e que precisa fazer. Em meio às dificuldades financeiras, foi necessário encarar o mundo e as lutas para que pudesse ajudar a família.

 

Com seis anos de idade, foi colocada para fazer revenda e entrega de litros de leite de gado nas ruas de Alenquer, levando de casa em casa, de cliente para cliente. Sua mãe comprava o leite do fazendeiro Dico Rajado, para que pudesse obter uma fonte de renda.

 

Pouco tempo depois, já com oito anos de idade, Tabaquinho passou a trabalhar na padaria do seu Nilo, na rua Dr. Pedro Vicente, bairro Centro, fazendo a entrega do produto nas casas, como era feito na entrega do leite. Os pães eram levados fresquinhos dentro de uma bandeja.

 

Desbravando as ruas de Alenquer

Por volta de 1997, dona Antônia, sua mãe, resolveu preparar croquetes e geladinhos para serem vendidos nas ruas. Ao mesmo tempo que ele carregava o isopor no ombro com os ditos geladinhos, levava a bandeja com os salgados no outro braço.

 

Com 10 anos, trabalhou para o seu Caximbão, no bairro Aningal, dando-lhe um carrinho com sorvetes e picolés para serem vendidos nas ruas pelos bairros centrais da cidade.

 

As ruas já eram bastante conhecidas pelo jovem, que as desbravava sem se perder nas esquinas e vias em que avançava. Mesmo cansado e suado, seguia persistente, certo de que em todo o seu esforço poderiam surgir o que tanto almejava.

 

Com 18 anos de idade, trabalhou com seu Edilson Lages da Conceição, o Rei do Tempero, com quem venderia colorau e pimenta no carrinho, próximo ao Mercado Municipal de Alenquer, outra experiência que seria significativa em sua vida.


Uma nova companhia, novos objetivos 

Época que Tabaquinho vendia CD e DVD. Foto: Arquivo pessoal/ Tabaquinho.

Com 19 anos, na praça São Sebastião, conheceria Gilza Santos, com quem passou a se relacionar e seria a sua parceira de vida e de conquistas. Na mesma época nasceria o seu primeiro filho e depois a sua filha, o que lhe caberia mais responsabilidade para buscar e alcançar mais oportunidades em sua vida.

 

Ousado, Tabaquinho precisou não depender apenas de uma única fonte de renda. Enquanto num período de tempo vendia tempero com seu Edilson, em outro tornava-se vendedor ambulante, colocando nas calçadas da travessa Lauro Sodré, no bairro Aningal, um painel para vender CD e DVD, aproveitando o intenso movimento da via.

 

Foi como vendedor de CD e DVD que o jovem foi alcançando mais popularidade e sendo mais conhecido pelas pessoas. Apesar de ter recebido muitas críticas, nas quais pessoas diziam que ele “estaria louco” ou que o que ele fazia “não daria certo”, não desistiu do que estava fazendo.


além disso, também trabalhou no posto de combustível Mossoró, no bairro Planalto, de onde nunca perderia vínculo e sempre teria parceria. 


Empreendendo com telefone celular

Apple Cell, empresa-ápice de seus empreendimentos de acessórios de celular. Foto: Silvan Cardoso.

Com a popularização expressiva dos smartphones no Brasil entre os anos de 2009 e 2012, o jovem, sempre buscando enxergar além do que muitas outras pessoas viam, passou a vender acessórios desses dispositivos móveis, criando em 2013 o Tabaquinho Celular.

 

Nunca teve medo de empreender e sabia que, arriscando, teria as mesmas chances de perder ou de ganhar. Tratou logo em arriscar, focando sempre na possibilidade de ganhar, que estava entre seus objetivos.

 

O Tabaquinho Celular foi sendo moldado e aperfeiçoado, alcançando tamanha popularidade e tendo a sua própria identidade nesse ramo de vendas de acessórios.

 

Atualmente administra a empresa Apple Cell, por ele criada e que é o auge de suas lutas e conquistas de décadas, desde a infância, quando entregava leite nas ruas, às ousadas façanhas de arriscar sem medo de perder.

 

Trabalhar com acessórios de celular nunca foi uma busca por estar entre as coisas que ele gostava. Entrou nesse ramo por necessidade. Soube lidar com as novidades que chegavam ao meio social e entendeu que dessas coisas novas poderia conseguir ganhos financeiros.

 

Las Vegas: Novo point da cidade

Nova opção de entretenimento em Alenquer. Foto: Silvan Cardoso.


Tabaquinho se casou oficialmente com Gilza no dia 18 de março de 2023. No ano seguinte criaria o Las Vegas Beer – Restaurante e pizzaria, outro empreendimento, muito diferente dos seus trabalhos anteriores.

 

O surgimento dos Las Vegas, entre outros motivos, foi pela necessidade de uma nova opção de entretenimento para as pessoas se reunirem em família ou com amigos.

 

A trajetória de Tabaquinho é admirável e inspiradora, de mais um jovem alenquerense, como alguns, que enfrentam as dificuldades sem medo de ganhar ou perder, mas certo de que tentou.




Comentários

  1. Sao histórias assim q incentivam outras pessoas a buscarem seus horizontes. Linda trajetória de vida,Deus continue a abençoar a vida do Tabaquinho, e q sirva de exemplo para outros jovens . Parabéns 🌻

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  2. Eu gostaria que você um dia entrevistasse um dos nossos irmãos excluídos, que vivem em situação de rua, excluídos da sociedade. Não a título de resolver a sua situação. Mas, para mostrar suas dificuldades em tomar o caminho de volta para uma mudança de vida. E também, para sensibilizar as pessoas bem sucedidas a prática da caridade.

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  3. O Seu Rui do Cidade Nova Supermercado tem uma história de vida surpreendente, muitos altos e baixos, até chegar o seu grande empreendimento. Passou também por diversas profissões.

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