A SAGA DE SARRAFF: DE VENDEDOR DE GELADINHO A EMPRESÁRIO
por Silvan Cardoso
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| O empresário que teve um caminho complexo antes do seu atual empreendimento. (Fotomontagem: Silvan Cardoso) |
É impossível ouvir a palavra
“Sarraff” e não a associar à Sarraff Utilidades, atualmente a maior empresa
comercial genuinamente alenquerense, que nasceu na travessa Lauro Sodré, via onde
surgiu, e de onde nunca mais sairia.
Embora a empresa tenha uma
notável estrutura e uma imensa variedade em vendas, para chegar onde chegou,
uma pessoa precisou caminhar bastante por estradas difíceis e imensos desafios,
que hoje podem servir de inspiração para quem também deseja empreender.
Mas José Elenilton da Silva
Sarraff, o empreendedor que construiu esse patrimônio, não nasceu em Alenquer.
Na verdade, sua terra natal é a histórica cidade de Mazagão, do estado do
Amapá.
Seus pais eram: senhor João
Fuziel Sarraff e dona Maria Dalva Sarraff. José Elenilton nasceria no domingo
do dia 12 de agosto de 1973.
Início de um novo caminho
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| Cidades de Mazagão (de nascimento), Laranjal do Jari e Almeirim, por onde Sarraff passou. (Fotomontagem: Silvan Cardoso) |
Mas Mazagão foi apenas sua
terra de nascimento, pois ainda bebê mudou-se com a família para a cidade de
Laranjal do Jari, onde viveria os primeiros anos de sua infância.
Encarou o duro desafio de
testemunhar seus pais se separarem quando ele tinha ainda sete anos de idade. A
cidade de Laranjal do Jari foi sua moradia até chegar aos seus nove anos,
quando saiu do estado do Amapá e destinou-se ao estado do Pará.
A primeira cidade paraense
foi Almeirim, no início da década de 1980. Tentou estudar numa escola, mas nunca
concluiria o ensino básico. José Elenilton estava travando uma luta constante
contra as imensas dificuldades financeiras, que já as tinha na infância.
Primeiros passos no empreendedorismo
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| Foi num box de mercado que Sarraff teve as primeiras noções de empreendedorismo. (Foto: Reprodução) |
Sua primeira experiência com
vendas foi vendendo geladinhos para a sua avó, já na adolescência, carregando
nos ombros um isopor e caminhando pelas ruas. Essa atividade perdurou por dois
anos.
Depois, por indicação da sua
avó, Elenilton trabalhou também num box de um mercado municipal, onde eram
feitas vendas de alimentos, um trabalho que também durou dois anos.
Novos rumos, outras oportunidades
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| A agricultura fez parte do ganha-pão de José Elenilton. (Foto: Reprodução) |
Em seguida, recebeu outro
desafio: a proposta de ser vaqueiro no rio Guajará, nas proximidades da
fronteira da cidade de Prainha com Porto de Moz, um desafio que foi encarado
por mais dois anos.
Deixando o serviço de
vaqueiro, embarcou para o rio Uruará, onde necessitou trabalhar na roça e fez
da agricultura o seu mais novo ganha-pão.
Aprendeu a produzir farinha
nas diversas etapas, trabalhou como ordenhador, tirando leite de vaca,
construiu cercas para muitos terrenos e precisou até ser pescador, usando todas
as técnicas, desde a linha até a tarrafa.
Um recomeço e mais desafios
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| Sarraff foi taxista, última profissão antes de embarcar em Alenquer (PA). (Foto: Reprodução) |
Entretanto, foi necessário retornar ao Amapá, na cidade de Laranjal do Jari, onde aprendeu a dirigir, tirou a habilitação e passou a trabalhar como taxista num Fiat Uno Mille, que não era seu, e de onde ganhava 30% do faturamento das corridas.
Com a nova profissão,
José Elenilton foi guardando o que podia de dinheiro, pois tinha metas em sua
mente para serem conquistadas.
Elenilton confessa que ao
longo dessa saga de vida, até se tornar taxista, sem boas condições
financeiras, precisou morar de favor nas casas de muitas pessoas.
Morou com sua avó Estelita,
com seus padrinhos Dulcineia e Diquinho Sarraff, com seu tio Pedrinho e com sua
tia Rosa.
Morou de favor também com o casal Laércio e Ezilda, que José Elenilton chama de “família exemplar”, já que a convivência com eles se tornou a sua verdadeira faculdade.
Um casal com o qual ele se
espelha e do qual ele extrai ensinamentos que usa em prática na sua convivência
familiar.
Destino: Alenquer, início da Sarraff Utilidades
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| Sarraff Utilidades - Tudo por 1,99, primeira loja de José Elenilton em Alenquer. (Foto: Arquivo/Sarraff) |
No final da década de 1990,
José Elenilton saiu de Laranjal do Jari por meios próprios e embarcou para a
cidade de Alenquer, onde tinha objetivos de empreender.
Em 1998, montou o seu
primeiro comércio “Sarraff Utilidades – Tudo por 1,99”, na travessa Lauro
Sodré, no bairro Aningal, que ficava próximo da loja São Miguel, quase no cruzamento com a rua Capitão Antônio Monteiro Nunes.
No ano seguinte, em 1999,
mudou de ponto, ainda na mesma rua, mas desta vez próximo à praça São
Sebastião, sempre buscando se firmar junto aos comerciantes daquele bairro.
Ainda no mesmo ano, José
Elenilton precisou mudar novamente de ponto. Permaneceu na travessa Lauro
Sodré, mas levou suas vendas para um lugar ao lado do então posto Taveira,
entre as ruas João Coelho e Constantino Batista.
Nesse ponto, a Sarraff
Utilidades foi alcançando mais projeção e, aos poucos, consolidando-se entre as
lojas da “rua do comércio” de Alenquer.
Atual maior empreendimento de departamentos genuinamente alenquerense
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| Atual loja Sarraff Utilidades, na trav. Lauro Sodré com rua Constantino Batista. (Foto: Silvan Cardoso) |
Por fim, seu quarto e atual
ponto comercial, que iniciou em 2016, é a atual loja Sarraff Utilidades, com
uma estrutura maior, com um considerável número de funcionários e sua
consolidação no comércio local.
A atual loja é a maior
referência alenquerense em vendas de materiais escolares e uma das maiores nas
vendas de móveis e eletrodomésticos.
Expansão do grupo Sarraff
Atualmente, a Sarraff
Utilidades tem como anexos a loja Sarraff Baby, onde são comercializados
produtos destinados aos bebês.
Também tem a Sarraff Açaí,
empreendimento que busca fornecer a venda do alimento da forma mais acessível à
população alenquerense.
Inspirações de Sarraff no empreendimento
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| Referências de Sarraff no empreendedorismo: Ricardo Eletro, Mário Gazin, Edivá Conceição e Luciano Hang. (Fotomomtagem: Silvan Cardoso) |
José Elenilton tem grandes
empreendedores como sua referência na sua luta constante, desde as primeiras
ideias até a consolidação dos seus negócios.
São suas inspirações no
empreendimento:
O paranaense Mário Gazin, de
86 anos de idade, que fundou do grupo Gazin há 60 anos, e hoje é uma das
maiores referências em vendas de eletrodomésticos, telefonia, entre outros.
O catarinense Luciano Hang,
de 63 anos de idade, cofundador da loja Havan, junto de Vanderlei de Limas, uma
das maiores redes de departamentos do Brasil, fundado em 1986.
O mineiro Ricardo Nunes, de
56 anos de idade, que abriu com sua família em 1989, quando tinha 29 anos de
idade, a loja Ricardo Eletro.
Em Alenquer, sua maior
referência foi Edivá Conceição, fundador da extinta Casa Paulista, o comércio
que chegou a ser o maior de Alenquer.
Embora nunca tivesse a
oportunidade de falar com ele pessoalmente, Sarraff sempre observava à
distância o grande empreendedor que ajudou na transformação da cidade ximanga.
Companhia de vida e de luta
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| Sarraff e sua esposa Geoziane, juntos desde 2001. (Foto: Facebook/José Elenilton Sarraff) |
José Elenilton Sarraff
conheceu a sua esposa, Geoziane Queiroz, em 2001, quando ela entrou em sua loja
para fazer compras.
Outro dia, reencontraram-se
na histórica Chácara do Pinto e lá tiveram a oportunidade de conversarem e se
conhecerem melhor.
Casaram-se sete meses depois
do reencontro, do qual teriam dois filhos: Yane e William. Geoziane
tornar-se-ia sua grande companhia nos seus empreendimentos.
Origem do sobrenome Sarraff
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| A origem do sobrenome Sarraff remonta alguns séculos atrás. (Foto: Reprodução) |
De acordo com o portal Amazônia Judaica, a palavra “Sarraff” deriva de “Sarraf”, vindo de uma família judaica safaradita, uma família muito antiga, que teria surgido na cidade de Toledo, na Espanha, séculos atrás.
Conta-se que originalmente o
nome era escrito “Açarrafe”. Na época, a família foi uma das vítimas da
inquisição, precisando buscar refúgio nas cidades de Évora e Mogador-Essaouira,
em Portugal.
Foi nessa transição de
Espanha para Portugal que o sobrenome foi mudando, de “Açarrafe” para “Sarrafe”,
por eles “usarem o mesmo valor fonético e porque naquela época não havia regras
gramaticais e ortográficas fixas”, mas que, por serem idiomas distintos, a
mesma fonética tinha escritas também diferentes.
Ressalta-se que o “Ç” foi
uma criação espanhola e que somente tempos depois migrou para a língua
portuguesa.
O sobrenome “Sarrafe”
significa “cambista ou banqueiro”. Daí viria a derivação atual “Sarraff”.
Palavras de Sarraff
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| Sarraff com sua equipe de trabalho. (Foto: Arquivo/Sarraff) |
José Elenilton Sarraff é o
empresário mais ativo nas redes sociais atualmente, divulgando muito além de
suas rotinas de trabalho, mas mostrando, por meio de vídeos, suas aventuras,
momentos de lazer e levando ao público o lado bom e inspirador da vida.
Ele próprio se auto intitula como um “empreendedor limitado” e que, por isso, afirma que quanto mais você
tem (em valores materiais), menos você vive em qualidade de vida.
José Elenilton destaca
que riqueza e sucesso de verdade é ter saúde, família, um local para trabalhar
e amigos.
Define o dinheiro apenas
como patrimônio e que os verdadeiros valores conquistados é o carinho, o
respeito, a credibilidade e a confiança, coisas que, conforme afirma o
empresário, o dinheiro não compra.
Sarraff afirma, ainda, que
se precisa ter cuidado com o empreendedorismo, pois “no coração do homem existe
um desejo de sempre ter mais”.
José Eleniton Sarraff, um “ximango de coração”
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| Terceira loja de Sarraff, em 1999, sempre na travessa Lauro Sodré. (Foto: Arquivo/Sarraff) |
A história de José Elenilton
transitava em suas memórias e que agora se disponibiliza para o mundo conhecer por meio deste texto.
A trajetória do menino vendedor de geladinho, do vaqueiro, do agricultor e do
taxista que, apesar das lutas e dificuldades, tinha objetivos.
Não desistiu do que almejava
e fez, sem medo, tudo o que podia para ser uma figura central e respeitada no
empreendedorismo alenquerense.
Sarraff recebeu no ano de
2016 o Título de Cidadão Alenquerense e, com quase 30 anos morando na cidade
ximanga, é um personagem contemporâneo indispensável da história de Alenquer.

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